Tanta coisa para dizer e tanto sentimento contido dentro daquele coração, mas tudo
bagunçado dentro dela, escolheu cuidadosamente cada palavra como se finalmente
fosse conseguir formar uma frase se quer, o esforço foi em vão. Mas o que seria
isso, que bloqueio estúpido era aquele que atormentava aquela menina acanhada,
de riso tímido e olhar sútil? Ela não saberia explicar, ninguém sabia explicar,
ela era um tanto calada, andava devagar e observava as pessoas mais do que
deixava ser observada, por isso todos a conheciam tão pouco. Mas ela precisava
dizer algo a ele, precisava explicar o motivo de não sentir o que deveria (e
queria), embora ela o desejasse mais que tudo, era amor, sem dúvida que era
amor aquele sentimento que morava nela, mas ela não sabia disso, ou talvez não
aceitasse isso. O que aconteceu com ela foi o mesmo que aconteceu com tantas
outras como ela, amor mal resolvido, histórias interrompidas, finais que
chegaram apressados, ela encontrou um novo amor antes que pudesse esquecer o
anterior e ficou tudo assim amontoado, um jogado por cima do outro e essa
bagunça parecia não ter fim, houve que em tempos de choro e mágoas, fez-se neve
no coração daquela menina e agora ele parece estar congelado.
São palavras que saem de uma mente que viaja em meio a tantas observações imaginando o que se passa no interior de cada um, e assim palavras soltas transformam-se em histórias e contos que você encontra aqui, pois tudo é pessoal.
sábado, 19 de maio de 2012
domingo, 13 de maio de 2012
O que Somos
De vez em quando bate um vento forte e o sol parece trazer o mesmo brilho de outrora, parece-me um aviso, como se eu não tivesse o direito de apagar certas lembranças da minha memória, involuntariamente recordo-me das tardes que juntos passamos. Olho em volta e tudo parece tão igual, o que teria mudado então? Que motivos tivemos para nos abandonar assim como fizemos, éramos tão donos do destino um do outro e para quê? Tudo em vão, ficou tudo tão confuso entre nós e de repente já não éramos os mesmos.
O tempo passou e tudo o que somos é uma confusão de momentos, lembranças e sombras que insistem em ficar.
Um sonho que Tivemos
Aquilo tudo que fizeste a mim foi esquecido e perdoado, acredite, nada mais importa, hoje tu és para mim uma lembrança desconcertante de um passado que fui e eu sou para ti o motivo de rires recordando uma piada minha ou uma careta que eu fazia para as câmeras de segurança no posto que frequentávamos para lanchar. Já fomos tudo o que tínhamos que ser um para o outro (ou não), já representamos o tudo nas nossas vidas, como se fossemos um só. Hoje não representamos nada a mais que um passado feliz na memória que tivemos de uma vida em comum, tivemos nossos momentos, foram bons, não podemos negar, mas não podemos continuar.
Agora tu me ligas tarde da noite perguntando o que houve, como que tivesses esquecido de tuas promessas e de todas tuas traições, mas minha memória acusa, DESLEALDADE, mas já é tarde e não quero acusar-te nesta ligação.
Tenho saudade, não te nego, assim como nunca neguei que meu coração ainda estremece quando vejo que és tu quem chama por mim, nesta ligação que não consigo rejeitar, tu me perguntas se tens chance e se ainda sonho contigo, fecho os olhos por um instante e até nos imagino, mas é impossível esquecer tanto sofrimento que causaste, e por isso te respondo deixa estar assim como ficou, continuaremos juntos na memória um do outro, mas o sonho já acabou.
sábado, 28 de janeiro de 2012
EM CADA LIVRO UMA HISTÓRIA NOVA
Ela abriu o livro novo e leu a primeira linha, parou e pensou: "A história é a mesma", repetiu a frase umas duas vezes para si, como que tentasse chegar a alguma conclusão antes de ler todo o livro, mas era teimosa demais; insistente demais; curiosa demais; tudo o que fazia era assim, ela gostava da intensidade das coisas e não conseguia parar até que soubesse do que se tratava, nunca gostou de histórias mal resolvidas, mal contadas ou contadas pela metade, ela era daquele tipo que se começavam a lhe contar algo não se podia desistir, pois ela insistiria para saber o fim da história, isso era coisa dela, e desse mesmo modo como gostava das histórias intensas, assim mesmo levava a vida, vivia por inteiro, talvez por isso fizesse tanta questão de levar a vida com muita calma, sem pressa (medo de sofrer? talvez, ninguém nunca teve certeza quanto a isso).
Mas dos livros não tinha medo e aquele livro era diferente, apesar de tanta semelhança com um livro antigo e querido que havia lido em um passado recente, e do qual ela não havia se conformado com o desfecho da história que se desenrolou sem que ela tivesse o controle. Odiava ser leitora por isso, ela não podia mudar o fim das histórias, "porque a história acaba assim e não desse outro jeito?", era a sua pergunta sempre que acabava de ler aquele bendito livro, e ficava a propor outros finais para a história, finais estes que ela julgava serem bem melhores que o final original.
Ela nunca aceitou que quem manda é o autor, nunca ela, nunca soube que existem forças maiores que a dela, mas não perdia a esperança e assim decidiu virar a página e começou a ler o novo livro, torcendo para que o final não fosse como o outro e sim o final desejado por ela.
sexta-feira, 27 de janeiro de 2012
O Meu querer
Tu não sabes, mas desde que tu entraste em minha vida tudo está assim meio tumultuado, nada mais é como antes, pois o que era certeza agora é dúvida e o que era sonho, agora é como uma obrigação desastrosa.
Tu tens feito de minhas noites um festival de fantasias, e nelas tem de tudo, tem olhos vibrantes e pele macia; tem um sorriso de canto e danças tímidas; tem trocas de olhares e um pouco de música, tudo que te envolve é um tanto misterioso para mim.
Tu não sabes o que quero nem conheces os meus sonhos, mas tudo que eu penso envolve o teu sorriso e o teu corpo, que importa se tenho medo? Se eu quero ter contato com o desconhecido.
Quero apenas desfalecer no teu abraço em uma manhã de domingo, eu quero teu sorriso em minha boca e tuas mãos entrelaçadas nas minhas, quero teu corpo sobre o meu. Quero tua entrega por inteiro, nunca pela metade.
quinta-feira, 26 de janeiro de 2012
A rua sem nome
Por tantas ruas que passei, só de uma nunca esqueço, aquela rua pequena e tênue que eu olhava da janela por horas e horas. A primeira vez que estive naquela rua deserta foi em tua companhia, mas quantas outras vezes estivemos só tu e eu naquela rua? Não saberia contar, parece-me que infinitas, assim mesmo como o tempo enquanto eu te esperava chegar, infinito tempo.
Eu sempre pensava que o relógio tinha parado, e enquanto o tempo não se movia, assim como os ponteiros daquele relógio antigo, eu esperava, esperava e esperava. Ali da sacada eu fitava a rua ansiosa e imaginava tua roupa e o sorriso que me darias quando me avistasse ao dobrar a pequena rua, teus passos firmes que vinham na minha direção para se entregar a mim sempre fizeram meu coração disparar, e era sempre nesse momento que eu podia entender porque eu estava ali. Quando tu me olhavas tudo fazia sentido, eu esquecia os problemas e entendia como era bom viver agora que estavas perto de mim, nada mais importava, somente nós.
quarta-feira, 25 de janeiro de 2012
Arraigado
Ele anda devagar, com os olhos constantemente atentos para não perder nenhum movimento dela, cada gesto é importante, mas ela é sempre tão relutante com o sentimento que cresce por dentro, se enraizando com força e se fixando profundamente; ele vai se esticando e arrebentando com os resquícios de outras raízes antigas das quais as plantas já nem vivem.
Ah menina, não despreza esse desejo que ele ganha mais força e essa força toma forma de um corcel, contudo se assim desejas, negue e renegue o sentimento que não é só dele, tu bem sabes que esse sentimento nasceu em algum lugar desconhecido e foi crescendo até que se dividiu em dois, escolheu morar em dois corações, no dele e no teu.
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