quinta-feira, 21 de junho de 2012

Após a partida...


Casa vazia, janelas fechadas, um chá frio sobre a mesa e um computador ligado, é assim que ela quer estar nesse momento. Sentindo no limite o que é essa solidão que lhe tomou por inteiro, mesmo quando está rodeada por tanta gente, um gole de chá que sente descer como se fosse algo sólido, lembrando dos amigos que partiram, saudade? Não se sabe, talvez ela esteja apenas refletindo sobre a necessidade deste vai e vem da vida, uns voltam e outros vão, nada fora do normal, tudo segue em paz.
Não fosse essa ideia fixa de querer ter o que não se pode, não fosse esse cálculo mal feito, matemática dos que amam, como se coração soubesse calcular alguma coisa e foi assim que tudo deu errado, foi por querer bem a quem não merecia, foi para preservar os que são comprometidos e definir limites que devem ser respeitados, foi por querer como amigo, a quem não te queria.
Ai menina, deixa disso, tolice  de quem partiu, desliga o computador e abre a janela, que sol aquecerá esse teu coração, quem vai volta se tiver motivos, e se não volta, a sorte é de quem fica.

quinta-feira, 14 de junho de 2012


Em um tempo obscuro e de caos total a respeito do que é o bom e o mau, entre mal e o bem, uma menina encontrou o que lhe salvaria, finalmente ela seria boa e faria um bem a alguém, tudo aconteceu quando em uma tarde vazia enquanto ela observava pela janela o mundo lá fora, quando, como que de presente (ou não), caiu ali na sua frente um passarinho pequeno de penugem mesclada de azul e preto lhe dava um colorido tão lindo, olhos cor de mel e um bico fininho da cor preta, só a pontinha tinha um tom de marrom. Prontamente ela saiu correndo para buscar o passarinho e lhe socorrer, juntou-o com todo cuidado para que não lhe machucasse, levou-o para dentro de casa, ficou com ele nas mãos observando por um tempo que na sua memória não foi tão longo, ela só estava tentando encontrar defeitos além daquelas asas machucadas, pobre passarinho, pensava ela sem parar.

Colocou o pequeno passarinho sobre a mesa e deu-lhe água e uns grãos de arroz, o passarinho parecia faminto, comeu tudo e parecia entender que a menina estava cuidando dele, ele a observava querendo agradecer de algum modo e a menina compreendia aquele olhar de agradecimento e o fitava de volta, sorrindo e cheia de satisfação por ter feito algo bom, colocou ele em uma caixa de sap.atos que ela  preferiu deixar aberta, em seguida pôs ali dentro uma garrafinha de água que ela havia cortado o lado, de modo que o passarinho pudesse beber a água sem dificuldades, e durante alguns dias ela deu amor, carinho e bastante atenção aquele pequeno e belo passarinho, e a afeição entre eles foi mútua a ponto de ficarem muito apegados, ele estava ali por necessidade e ela o tratava por puro prazer, sem sentir alguma obrigação, ela fazia por amor

Certo dia ela chegou em casa e viu que o seu amiguinho estava batendo as asas, então seus olhos se encheram de lágrimas, um misto de alegria e tristeza, era bom ver ele curado, mas ela sabia que seu amiguinho partiria, todo pássaro gosta de ser livre, é natural, então carregou ele em suas mãos pela última vez, sorria pra ele, com a intenção e a esperança de que pássaros tivessem memória e que aquele pequeno pássaro em especial pudesse guardar aquele sorriso dela, o sorriso da despedida. Ela soltou a mão de cima do passarinho e abriu bem a palma da mão que o carregava para que ele conseguisse bater suas asinhas e fosse livre novamente, ele a fitava carinhoso, seria impressão dela? Ou talvez o passarinho tivesse de fato um carinho por ela? Pelo jeito como ele lhe olhava eu arrisco dizer que sim, ele a estimava por tudo que ela lhe tinha feito, ela o amou tanto que queria que ele fosse livre e assim ela o soltou e ele voou.
Nunca mais se viram novamente.

quinta-feira, 7 de junho de 2012

O texto que não escrevi



Tentou desesperadamente formar uma primeira linha, um versinho simples que fosse, e sentindo uma necessidade absurda de se expressar com algo que ela não conseguia entender, um sentimento tão forte e estranho (desconhecido).
Foi assim que sentiu uma força se esticando dentro dela, e ela querendo algo a mais além de um jogo de palavras, virando e revirando-se por dentro, contorcendo-se por inteiro, mas não encontrou nada.  Havia um vazio nela, um vazio de tudo que lhe foi dito até aqui, como se as palavras não lhe bastassem.
Então sem encontrar palavras calou-se ante esse estranho sentimento que não lhe cabia, mas não queria sair e ir para o caderno ou as linhas seguintes, e procurando o verbo desconhecido que não chegava e insistia em fugir, amar ou querer, querer e não poder, seria o contrário? Tanto faz, sem as palavras nada seria, então ela fechou o blog e foi dormir. 

sábado, 2 de junho de 2012

Metade - Oswaldo Montenegro


Hoje nada fala mais por mim do que isto...

Que a força do medo que tenho
Não me impeça de ver o que anseio
Que a morte de tudo em que acredito
Não me tape os ouvidos e a boca
Porque metade de mim é o que eu grito
Mas a outra metade é silêncio.
Que a música que ouço ao longe
Seja linda ainda que tristeza
Que a mulher que eu amo seja pra sempre amada
Mesmo que distante
Porque metade de mim é partida
Mas a outra metade é saudade.
Que as palavras que eu falo
Não sejam ouvidas como prece e nem repetidas com fervor
Apenas respeitadas
Como a única coisa que resta a um homem inundado de sentimentos
Porque metade de mim é o que ouço
Mas a outra metade é o que calo.
Que essa minha vontade de ir embora
Se transforme na calma e na paz que eu mereço
Que essa tensão que me corrói por dentro
Seja um dia recompensada
Porque metade de mim é o que eu penso mas a outra metade é um vulcão.
Que o medo da solidão se afaste, e que o convívio comigo mesmo se torne ao menos suportável.
Que o espelho reflita em meu rosto um doce sorriso
Que eu me lembro ter dado na infância
Por que metade de mim é a lembrança do que fui
A outra metade eu não sei.
Que não seja preciso mais do que uma simples alegria
Pra me fazer aquietar o espírito
E que o teu silêncio me fale cada vez mais
Porque metade de mim é abrigo
Mas a outra metade é cansaço.
Que a arte nos aponte uma resposta
Mesmo que ela não saiba
E que ninguém a tente complicar
Porque é preciso simplicidade pra fazê-la florescer
Porque metade de mim é platéia
E a outra metade é canção.
E que a minha loucura seja perdoada
Porque metade de mim é amor
E a outra metade também.

sábado, 19 de maio de 2012

Aquele Coração


Tanta coisa para dizer e tanto sentimento contido dentro daquele coração, mas tudo bagunçado dentro dela, escolheu cuidadosamente cada palavra como se finalmente fosse conseguir formar uma frase se quer, o esforço foi em vão. Mas o que seria isso, que bloqueio estúpido era aquele que atormentava aquela menina acanhada, de riso tímido e olhar sútil? Ela não saberia explicar, ninguém sabia explicar, ela era um tanto calada, andava devagar e observava as pessoas mais do que deixava ser observada, por isso todos a conheciam tão pouco. Mas ela precisava dizer algo a ele, precisava explicar o motivo de não sentir o que deveria (e queria), embora ela o desejasse mais que tudo, era amor, sem dúvida que era amor aquele sentimento que morava nela, mas ela não sabia disso, ou talvez não aceitasse isso. O que aconteceu com ela foi o mesmo que aconteceu com tantas outras como ela, amor mal resolvido, histórias interrompidas, finais que chegaram apressados, ela encontrou um novo amor antes que pudesse esquecer o anterior e ficou tudo assim amontoado, um jogado por cima do outro e essa bagunça parecia não ter fim, houve que em tempos de choro e mágoas, fez-se neve no coração daquela menina e agora ele parece estar congelado.


domingo, 13 de maio de 2012

O que Somos

De vez em quando bate um vento forte e o sol parece trazer o mesmo brilho de outrora, parece-me um aviso, como se eu não tivesse o direito de apagar certas lembranças da minha memória,  involuntariamente recordo-me das tardes que juntos passamos. Olho em volta e tudo parece tão igual, o que teria mudado então? Que motivos tivemos para nos abandonar assim como fizemos, éramos tão donos do destino um do outro e para quê? Tudo em vão, ficou tudo tão confuso entre nós e de repente já não éramos os mesmos.
O tempo passou e tudo o que somos é uma confusão de momentos, lembranças e sombras que insistem em ficar.

Um sonho que Tivemos

Aquilo tudo que fizeste a mim foi esquecido e perdoado, acredite, nada mais importa, hoje tu és para mim uma lembrança desconcertante de um passado que fui e eu sou para ti o motivo de rires recordando uma  piada minha ou uma careta que eu fazia para as câmeras de segurança no posto que frequentávamos para lanchar. Já fomos tudo o que tínhamos que ser um para o outro (ou não), já representamos o tudo nas nossas vidas, como se fossemos um só. Hoje não representamos nada a mais que um passado feliz na memória que tivemos de uma vida em comum, tivemos nossos momentos, foram bons, não podemos negar, mas não podemos continuar. 
Agora tu me ligas tarde da noite perguntando o que houve, como que tivesses esquecido de tuas promessas e de todas tuas traições, mas minha memória acusa, DESLEALDADE, mas já é tarde e não quero acusar-te nesta ligação.
Tenho saudade, não te nego, assim como nunca neguei  que meu coração ainda estremece quando vejo que és tu quem chama por mim, nesta ligação que não consigo rejeitar, tu me perguntas se tens chance e se ainda sonho contigo, fecho os olhos por um instante e até nos imagino, mas é impossível esquecer tanto sofrimento que causaste, e por isso te respondo deixa estar assim como ficou, continuaremos juntos na memória um do outro, mas o sonho já acabou.