Se tinha sobrado algum sentimento daquele relacionamento, sem dúvida era a paz interior que passou a morar nela, foi como se um tornado tivesse passado em sua vida sem ter deixado grandes estragos. Ela fechou os olhos e respirou fundo, apenas esperou o tempo se acalmar; sentiu o impacto e a força de todo o vento que passou por ali, consciente a todo momento apenas disse a si mesma "mais um capítulo encerrado, página virada". De fato não sobrou nada, mas ela ainda estava ali, mesmo aos pedaços, assistindo a tudo que tinha construído cair aos montes e com a mesma força que uma pedra cai de um penhasco. O fim para ela foi como um tornado que passa levando tudo que está pelo caminho, ele passou levando seus sonhos e planos, tudo pelo ar. Mas estranhamente ela não chorou, não lamentou, apenas sorriu, sentiu uma paz desconhecida, sabendo que era forte e que sobreviveu até ali.
São palavras que saem de uma mente que viaja em meio a tantas observações imaginando o que se passa no interior de cada um, e assim palavras soltas transformam-se em histórias e contos que você encontra aqui, pois tudo é pessoal.
segunda-feira, 27 de agosto de 2012
sábado, 25 de agosto de 2012
Gabriele
Ela trazia no peito o peso de uns anos vividos com tanta intensidade, vitórias e perdas, amores e desilusões, era tanta história e tantas coisas contidas, e os desejos pulsavam com força, como se quisessem fugir, escapar para um lugar qualquer e de fato queriam, talvez por isso ela fosse assim tão agitada, havia um excesso de sentimentos ali dentro daquele coração.
E aquela moça tão linda que carregava um ar de menina travessa, tinha uma aura especial, um Q de atrativo que ninguém jamais soube explicar, enviada de Deus, já dizia seu nome, Gabriele. Menina que a todos encanta, fascinava a todos com aquele jeito moleca de rir e fazer graça com tudo, e apesar de uma bagagem enorme que carregava consigo jamais se deixou amargar pelas perdas da vida e embora tenham sido muitas as suas desventuras, ela era cheia de afetos e saudade dos que já tinham partido, ela caminhava compassadamente em seus sapatos all star, sempre com um ar de mistério que aqueles olhos graúdos carregavam, tinha um olhar penetrante que era capaz de enxergar almas e por isso não se deixava iludir facilmente, a vida havia lhe ensinado a ler olhares, sabia decifrar o verdadeiro do enganoso e isso certamente era a melhor qualidade de Gabriele.
Muitos diziam que ela era mais que mulher, era um misto de mulher com um ser sobrenatural, que não se abatia, não sofria e nem se alegrava, na cidade ecoavam boatos de que ela estava em estado de serenidade constantemente, mas quem teve a chance de conviver com ela sabe que Gabriele tinha em si mais humanidade do que qualquer pessoa, e se tinha algo de deusa, com certeza era o dom de fazer com que a amassem, aquela mulher soube ser amada como jamais alguém soube.
sexta-feira, 17 de agosto de 2012
O mar a levou
Sara olhava o mar como se ali fosse chegada sua hora, momento sublime, era despedida
de um tempo, fechamento de um ciclo de vida, ela estava desesperada para
encontrar o vir a ser, estava livre das amarras de um passado pesado, e assim
atirou-se ao mar. Que agonia, alguns minutos se debatendo em alto mar, dores e
frio, mas nada lhe faria desistir, estava sendo tão doloroso, ela sentia-se
como uma borboleta antes da transformação, sentia-se lagarta, com um corpo tão
frágil, esticando-se para sair de um casulo apertado, saindo de uma fase dolorosa e confusa para entrar na fase que lhe faria alçar altos vôos, mas não era fácil sair do
casulo, era preciso esperar o tempo certo, o tempo em que as asas estariam
prontas. O tempo de dores e sofrimentos eram para fortalecer as asas
coloridas que lhe fariam voar por novas experiências, para "novos mundos".
Estica
o braço, dá fortes braçadas, finalmente
Sara se vê nadando com graça e força,
ela estava deixando-se levar pelo mar e por suas fortes águas. Onde foram parar
as dores e o frio? Já nem lembrava, sorria contente por estar ali, sentia-se
ousada por tentar ser feliz. Ela estava satisfeita por ter abrido mão de uma
comodidade que lhe faria infeliz, ela estava finalmente tendo contato com o
novo, com o desconhecido, Sara estava sendo apresentada ao prazer de viver a
vida exatamente como há muito deveria ser.
segunda-feira, 9 de julho de 2012
O Reencontro
Não havia dúvidas de que eles tinham vivido para aquele momento, e já não existiam dúvidas ou medo (e se existia, a coragem se sobrepunha a ele), o fato é que eles estavam ali para aquele reencontro, estavam se esperando, braços abertos e um sorriso no rosto, que dia maravilhoso, não eram duas pessoas se vendo novamente, eram duas almas se reconhecendo uma na outra. Muitas foram as vezes que pensaram em desistir, tentativas frustradas pois sempre retornavam ao ponto de partida, escala zero e do zero começavam, ali naquela esquina um começo se formava, chega de vírgulas, é ponto final, capítulo encerrado. Eis que uma nova história começava a ser escrita ali mesmo, passo por passo e olhos nos olhos, a certeza latente dentro daqueles corações, a ousadia de tentar mais uma vez, ela olhava o sorriso dele, aquele mesmo que ela nunca havia esquecido, embora tenha se passado algum tempo, ali estava o mesmo olhar cúmplice, o mesmo carinho e sim, ainda era o mesmo sentimento.
Finalmente era a hora de fazer acontecer, concluir a história que havia sido interrompida, era a hora de arrumar a casa, desfazer as malas, desatar os nós, os abraços pareciam não ter fim, seria um sonho? Não mais, realmente estava acontecendo, estava escrito, tinha que ser, destino? Teimosia? Ao invés de uma resposta ela escolheu a afirmação de Caio Fernando Abreu: "Se você me amar e eu te amar, não precisamos da aprovação de ninguém para ficar juntos, como também não precisamos assinar nenhum papel ou aceitar qualquer espécie de jogo. Não acredito que maus fluídos, por mais fortes que sejam, consigam destruir um amor bonito, limpo"
segunda-feira, 2 de julho de 2012
Além
Tudo que está após essa aparência que eu tenho, aquilo implícito que disfarço sorrindo e que não podes ver por trás desta felicidade que finjo ser minha, tu não notas no cheiro que tenho, ou no modo como me movo, pois nada disso é capaz de dizer o que está além dessa carcaça. E sei que tu passas por mim e me olhas de canto, julgando-me por tudo, eu te olho de volta sabendo que não posso te impedir e nem dizer a que duras penas cheguei até aqui.
Mas toda palavra que te dou e todo som que escuto ou livro que leio também não servem para consolar nem a mim ou a ti, assim sei, que não fazes mal por me julgar, pois também já te julguei, mas somos o que somos, com nossos sonhos guardados, pensamentos secretos e um certo ar de arrependimento pelo que não fizemos, apenas somos.
quinta-feira, 21 de junho de 2012
Idas e vindas.
Que ironia, mais alguém acaba de chegar de onde não queria ter voltado, são elas, as idas e vindas, o poeta havia dito "A vida é a arte do encontro, embora haja tanto desencontro pela vida", assim ela segue lenta e sem rumos, e voltando ao mesmo ponto de partida, como é irônica esta vida. No peito uma dor que só os desesperados conhecem, na memória as lembranças e nas mãos as malas, o moço dá sinal de partida, todos embarcam, alguém lhe sorri da janela, como se conhecesse aquele olhar triste e agora parecia que apenas ela tinha, em um esforço inútil ela tenta sorrir de volta, mas é tanta tristeza que não lhe sobram forças para fingir uma simpatia que lhe escapou no momento que fez as malas. Olhando para o nada, como se tivesse assim a chance de retornar por aquele chão de terra, ela observa a paisagem que vai se tornando distante, e tudo foi ficando embaçado aos seus olhos, apesar de ainda estarem tão nítidos em sua memória, tudo era tão contraditório naquele instante, como poderia partir se queria ficar? Mas ela mesmo respondia, silenciosa, fechando os olhos e pressionando aos mãos uma contra a outra, "não posso ficar, não posso ficar". Todos se perguntavam que motivos ela tinha para sair assim fugida no meio da tarde, despedindo-se apenas de duas pessoas, mas ninguém precisava saber, não importam os motivos, nunca importou a ninguém daquele lugar, há quem diga que foi por medo, ela estava desesperada de medo, quem olhava nos seus olhos poderia reconhecer a cor castanha do medo.
O motorista anuncia a primeira parada, ela desce correndo "irei voltar", mas novamente é tomada pela sua consciência, ela volta a sua poltrona, olha pela janela novamente, como se a estrada a chamasse de volta, mas ela sabe que tem coisas que precisam ser feitas por mais que não se queira, ela reflete por uns poucos segundos, vira-se e senta-se na poltrona, a viagem continua, hoje é dia de partir, amanhã quem sabe será o de voltar.
Para Uma Pessoa Especial.
Foi em uma rua deserta, num ponto de ônibus que tudo começou: Aproximou-se de mim uma moça alta de cabelos lisos, um sorriso cínico, parece que me conhece há anos de tanto que conversa comigo, até esqueço por uns minutos que tínhamos acabado de nos conhecer. E nos conhecemos assim meio que do nada, ela perguntou-me se eu aguardava a mesma lotação que ela, resposta positiva e pronto, não faltou mais nada para virarmos grandes amigas. Ali no ponto de ônibus, do nada, falávamos de tantas coisas, mas principalmente sobre a faculdade, assunto que tínhamos em comum, aliás único assunto em comum até então na verdade, lembro que eu falava da faculdade, ela falava da vida dela todinha para mim. E assim seguiram-se muitos dias, em que só nos víamos ali no ponto de ônibus e conversávamos até a nossa cidade (e a viagem era longa), semestre seguinte e uma surpresa, ela havia sido transferida para a minha faculdade, foi nessa época que nossa amizade fortaleceu-se, desde então passaram-se cinco anos.
E essa historinha resumida aí em cima, foi só pra explicitar como amizades verdadeiras podem surgir do nada e perdurar por um tudo, por um objetivo maior, por um afeto real e tão sincero, assim como a nossa amizade. Nada valeria a pena na minha vida se não fosse pelas pessoas que me cercam, essa minha amiga, é daquelas que não julga as bobagens que faço, ela ri comigo das tolices que fazemos e transforma em piada os nossos desafetos. Hoje essa garota que há tempos me cativa está fechando mais um ciclo de sua vida, um ano a mais de vida, e tudo começa diferente ou segue de modo quase igual, mas não importa, o importante é viver e aprender com a vida dia após dia, não importa o modo como vivemos, os erros que cometemos, ou se temos gostos e ideias diferentes sobre tantas coisas, talvez seja justamente isso que nos una, nossas diferenças, nosso confrontar de pensamentos, o resto são detalhes que vão ficando armazenados nas nossas memórias para se eternizarem em nós, assim como espero que a nossa amizade se eternize.
Feliz aniversário"my hot girl" (piadinha interna), eu só te quero bem!!!!
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